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A quinta temporada de House of Cards

                House of Cards é uma série deveras difícil de digerir. A quantidade de informações que cada episódio traz, a trama intrincada repleta de tramoias envolvendo política, economia e corporações é complexa e bem elaborada. Talvez por isso nunca cheguei a falar sobre a série por aqui.



                Quando maratonei as quatro temporadas, ano passado, meu nível de empolgação foi pra lá da estratosfera. A escalada de Francis Underwood vai atingindo níveis cada vez mais empolgantes, à medida que a série avança.
                E a quinta temporada começa com promessas de guerra ao terror, numa estratégia sagaz visando abafar e joga para segundo plano escândalos que a mídia noticiou. E em paralelo, corre as eleições, trama que já vem desde temporadas anteriores.


                Após a derrota completa e definitiva de Heather Dunbar, que acabou destruindo a própria candidatura, Frank tem que lidar com um oponente mais jovial, mas sagaz e capaz de se adaptar a situações diferentes. Desde a temporada passada, o contraste entre Frank e Will Conway vai ficando mais e mais evidente. O novo contra o velho, Will leva vantagem com seu carisma e suas interações sociais, chegando até mesmo a ficar 24 horas seguidas no Skype, respondendo perguntas dos eleitores.
                Mas a corrida presidencial vai aos poucos devorando os nervos do jovem Will, aliado a alguma experiência traumática em sua carreira militar, aos poucos Will vai se autodestruindo, conforme Frank articula os prolongamentos da eleição.
                E Frank manipula a seu bel prazer as eleições. Cada coisa que deve acontecer nos momentos precisos para que a realidade se altere de acordo com seus planos. Mesmo quando seus rivais trazem um engenhoso plano envolvendo uma possível bomba suja, Frank não se deixa passar para trás.
                Uma nova e assombrosa personagem entra nessa temporada: Jane Davis, uma empresaria? Sempre por dentro de tudo, mas tudo mesmo que anda acontecendo, ela articula influências e favores, enquanto ninguém consegue dizer qual exatamente seria seu objetivo. Jane parece frágil, distraída e inofensiva, mas a cada situação ela se mostra assustadoramente informada, e sempre parece ter um dedo dela em tudo.
                E nas turbulentas manipulações, Frank sobrepuja Will, e é reeleito presidente, apenas para se tornar alvo de um comitê que irá investigá-lo ferrenhamente. E a medida que o comitê avança, mais e mais escândalos vão surgindo, todas as ações de Frank ao longo da série sendo desenterradas. E não demora para que a palavra impeachment apareça.
                As quebras de quarta parede nessa temporada acontecem com menos frequência, é verdade, mas são ainda mais majestosas. Frank passei pelo cenário, em meio aos personagens, nos explicando o porquê ele está um passo à frente até mesmo de nós que estamos assistindo. E Claire, que a cada quebra dessas se mostra por dentro de nosso complô com Francis.
           
     Claire não tem os holofotes como na temporada anterior, mas ela brilha. Suas influências crescem a medida que Frank parece desmoronar. Muitos consideram que ela seja a melhor opção, e muitas vezes nos pegamos fazendo a pergunta: seria ela a grande manipuladora por trás de tudo que está acontecendo?
                Por que a medida que a série avança, Frank fica mais destroçado, e ela mais forte. Até que ela finalmente fala com o telespectador, nos contando que ela sempre soube que estivemos ali. Genial.
                Mas tudo desmorona, e Frank se vê encurralado. E numa das melhores cenas da temporada, ele renuncia. Claire se torna a presidente dos Estados Unidos, e tudo fazia parte dos planos de Frank. Tudo que aconteceu foi meticulosamente orquestrado por ele, todos os vazamentos, todos os escândalos revelados, tudo parte de um plano visando atingir um nível de poder ainda maior.
       
         E agora todas as peças estão exatamente onde ele queria que estivessem. Com Claire na presidência, um perdão definitivo lhe será concedido, e então ele partirá para o setor privado, onde irá utilizar sua influência sobre a presidente, e atingirá níveis de influência jamais imaginados.
                Não é? Claire fará isso, não fara?
                 A temporada encarra com uma poderosa frase, Claire nos olha, com uma expressão sinistra, e diz: “Minha vez! ”

                Algo que nem mesmo Frank pode prever. Claire não mostra sinais de ter interesse em seguir os planos de seu marido. E agora? Agora chora, que a série se volta ano que vem...
A quinta temporada de House of Cards A quinta temporada de House of Cards Reviewed by Jyuuken Cronicaex on 11:34:00 Rating: 5

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